Um Post Muito Longo….

12/03/2009 at 5:23 PM Deixe um comentário

Eu queria postar isso um dia…

Ontem, fomos levar as coisas da Kianna à sua casa nova. Mário foi junto. Mário é um homem de uns 38 anos, moreno, magro, nordestino, muito humilde, falante, e que presta serviços à meu pai.

Ele foi para ajudar com as coisas pesadas e para ser a “menina dos olhos” da minha mãe. Isso porque, minha mãe conhece meu pai como ninguém, e ao ver que voltaríamos de Goiânia de madrugada, e ela não estaria junto na volta (apenas eu e meu pai) precisaríamos de algo para espantar o sono. Daí veio com a desculpa “Mário, assim você pode conhecer Goiânia, já que nunca foi lá…”  …. hum, sei!

A ida foi tranquila, muita gente no carro, (uma F1000 de um amigo de meu pai), eu como sempre falando muito, só perdendo pro Mário. Piadas, e nenhum cigarro (meu pai achou melhor não fumar no carro do amigo – eu adorei)…

Acontece que depois que chegamos, meu pai já começou a mostrar sinais de noite mau dormida, cansaço, stress. Na noite anterior, ele só dormiu 1 hora. Eu sabia que isso ia dar merda. Minha mãe também. O Mário a essa altura coitado, um inocente.

A primeira vez que eu ví meu pai dormindo na direção foi bem assustador. Eu não sei porque pagar caro em montanhas russas por leves frios na barriga. Viajar com meu pai de madrugada, com sono, dá bem mais medo. Depois daquela noite, eu cochilo antes de entrar no carro, e não tiro os olhos da estrada.

Ontem foi uma dessas noites. Na saída, lembro que a mãe falou “Vai lá, Jesus que acompanha vocês viu, vocês vão fazer uma boa viagem…” ela nunca fala assim…isso é medo. Saímos era 1:50…Goiânia à Catalão são 3hrs. Nos primeiros 40 minutos tudo lindo, musica, papo, e eu acabei cochilando. Acordo com meu pai falando muito alto, chingando, reclamando que o sono está batendo, e o Mário, pedindo pra ele parar e jogar uma água no rosto.

Daí em diante, Catalão parecia do outro lado do mundo. Cada minuto no carro vira um inferno. Eu, calmamente, sentei direito no banco, peguei meu celular, pus na mão esquerda, com a outra segurava minha bolsa cheia de coisas, que toda vez que meu pai freiava, voavam ao chão.

Mário estava super nervoso. Começou a chover, o farol baixo, e pra ajudar, neblina na estrada. Ele pedia pra parar, oferecia balas de café, contava histórias, suava, falava coisas pra agradar, pedia atenção nas ultrapassagens, pedia pra eu falar algumas coisas… não adianta. Eu achei ótimo quando ele finalmente desistiu e começou a fumar (sem parar) no carro. Só quem já viu sabe como é. Eu fico literalmente petrificada. Eu sento com postura, ponho o cinto, agarro meu celular e o banco, abro bem os olhos, e fico olhando a estrada. Não pronuncio uma palavra, faço algumas orações na cabeça, minha mão fica um gelo, boca seca, e só falo, quando nescessário, ou seja, quando meu pai levava o queixo ao peito, e claro, tirava os olhos da estrada. O mais estranho é que eu não fico mais com medo, nem mesmo nas horas em que o carro esta a um fio de sair da pista. Eu sempre achei que ia morrer jovem, e num acidente de carro, acho que deve ser por isso.

O carro dançava na pista, da direita pra esquerda, entrando na faixa oposta, as curvas são a pior parte. Do nada ele freiava, depois corria, não via buracos, soltava gritos altos, coçava a cabeça, toda hora lia as horas, reclamava de tudo, depois repetia que não tava raciocinando de sono, que não sabia o que tava fazendo, que não podia correr, que não tava enchergando bem, reclamava da vida, gritava, coisas sem sentido…Ele é do tipo, que se você fala alguma coisa, mesmo que sejam palavras legais, ele só vê o lado ruim, e fica falando coisas pra deixar todos bem nervosos (como Mário, que acendia seus cigarros com a mãe tremendo e toda hora passava a mão na testa… comigo isso não funciona.. Desligou o som do carro, se negava a parar, dizia que água no rosto não adiantava… ou seja, é inútil discutir.

Eu pensava em tudo. Nas aulas de primeiros socorros, que o Mário nunca mais vai viajar com a gente de novo, queria ligar pra minha mãe, mas pra que? Pensava “eu preciso tirar logo minha carteira”, toda hora olhava meu celular, e uma hora pensei, vou postar isso qualquer dia. Isso já virou cotidiano demais.

E finalmente, às 5:40 chegamos. Só fui de fato ver minha cama às 6 e pouca. Cansada, agradecendo a Deus por chegar bem. Eu queria poder dizer, “nossa espero que isso nunca mais aconteça”… até parece. Então aqui está, um post que eu sempre quis, pra tentar registrar como é viajar com meu pai, quando ele esta com sono. E olha que esssa foi a viagem (Gyn/Cata) imagine a Bsb/Cat com apenas eu e Kianna no carro… foi beeeem mais “divertida”

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Essa foi BOA Eita menina que dorme…

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